Graça sobre Graça: A história de Mefibosete!

Pr. Cesinha Sitta

          Antes de dar início ao desenvolvimento do artigo, vamos refletir a respeito do significado da graça. A graça de Deus é um favor imerecido, pois, se merecermos por algo que conquistamos, então já não é graça, assim como disse Paulo: “Mas se é por graça, já não é pelas obras; de outra maneira, a graça já não é graça” (Rm 11.6a). A partir deste entendimento, podemos seguir adiante.

          A Bíblia diz que fomos justificados pela graça (Rm 3.24) e que, por ela, somos salvos (Ef 2.8-9). Sabendo-se da importância da graça, Satanás busca roubar de nós sua revelação e entendimento, como está escrito:

 

Nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus. 

2 Coríntios 4.4

 

          A falta de entendimento da Palavra de Deus gerará sérias conseqüências em nossas vidas, pois aquele que não recebeu revelação da luz do evangelho não terá conhecimento da imagem do próprio Deus. Da mesma forma, viver sem entender a graça é perder de desfrutar uma vida abundante e da própria salvação eterna.      

          Nosso objetivo, neste artigo, é discorrer a respeito da graça de Deus, revelada na história de um homem não merecedor, chamado Mefibosete.

 

  1. Graça: Não é por nosso mérito!

 

Já entendemos o que a Bíblia fala a respeito da graça e sabemos que sua essência é totalmente o oposto do que as pessoas deste mundo vivem. O mundo de hoje não conhece e nem entende o sentido da graça, pois para se garantir algum espaço e sucesso nesta Terra, é necessário “fazer por merecer”. É preciso ainda desenvolver habilidades e ter muito esforço se quisermos conquistar algo. Neste mundo, portanto, nada se conquista sem mérito.

Apesar disso, a Palavra de Deus nos diz que a graça é suficiente para nós, filhos de Deus (2 Co 12.9) e ainda diz que é por meio dela que temos a salvação (Ef 2.8).

          Como já foi dito, não teremos vida abundante sem entendermos e vivermos a graça. Em um momento da vida de Jesus, este se depara com um paralítico cheio de fé para receber a cura. O paralítico desejava viver esta vida abundante em Jesus, ele queria ser curado. Porém, a primeira coisa que Jesus declara a ele é: “Filho, perdoados estão os teus pecados (Mc 2.5). Mas ao perceber que os mestres da lei, raciocinando em seu íntimo, O acusavam de blasfêmia, Jesus disse:

 


Qual é mais fácil? Dizer ao paralítico: Estão perdoados os teus pecados; ou dizer-lhe: Levanta-te, e toma o teu leito, e anda?

Marcos 2:9

          O que Jesus nos ensina com esta situação é que não existe operação de milagres e vida abundante, sem que antes haja entendimento de Sua graça. Primeiro, Ele perdoa os pecados do paralítico, ou seja, incita-o a entender que, pela graça, ele seria salvo, e depois, cura-o fisicamente.

 

  1. Uma vida pesada: viver debaixo da Lei.

Até agora falamos a respeito do valor que a graça possui na vida dos seguidores de Jesus, valor este que, muitas vezes só é notado ao se viver sem ela. Foi o que aconteceu com a Igreja da Galáxia. Paulo, percebendo um grande perigo entre os crentes daquela cidade, dedica uma carta a estas pessoas, pois percebe que os mesmos haviam tornado inútil o sacrifício de Jesus. Ele declarou: “Sois vós tão insensatos que, tendo começado no Espírito, acabeis agora pela carne?” (Gl 3.3). Isto significa que aquele povo um dia havia experimentado a graça salvadora de Jesus Cristo, porém, a mesma passou a ser insuficiente para a sua caminhada.

Nós corremos o risco de fazer o mesmo quando pensamos que o sacrifício de Jesus já não é suficiente para nossa salvação. Começamos, então, a depender do nosso esforço e obras para garantir a aprovação de Deus e a nossa entrada no Céu. Com esta forma de pensar, sem perceber, nos afundamos novamente na Lei, a qual Jesus morreu para cumprir de uma vez por todas. Esta vida não é a vida que Deus preparou para nós, pois é uma vida “pesada”, que gera cansaço a aflição. Jesus nos mostrou esta verdade no dia em que se deparou com uma multidão cansada e oprimida pela Lei. Ele os convidou a aprender com Ele um novo estilo de se viver, estilo este baseado na graça (Mt 11.28-30).

          Outra história que nos mostra o contraste entre a Lei e a Graça é a parábola do fariseu e do publicano, em que ambos subiram ao templo para orar, porém, o primeiro agradecia a Deus por não ser pecador, gabando-se de seu esforço para ser santo. Já o publicano, que nem o olho levantava ao céu, batia em seu peito, pedindo misericórdia a Deus. Este chamava a si mesmo de pecador (Lc 18-10-14). Ao terminar de contar a parábola, Jesus conclui que quem saiu do templo justificado foi aquele que se humilhou (o publicano), e não o fariseu, que exaltou a si mesmo. Ao contrário do fariseu, o publicano entendeu e dependeu da graça de Deus.

 

  1. Mefibosete: uma história de graça.

Existem várias histórias na Bíblia que simbolizam e exemplificam a graça de Deus, assim como anteriormente já descrevemos. Porém, os relatos a respeito da vida de Mefibosete possuem detalhes preciosos e reveladores a respeito da mesma. Mas quem era este homem?

Mefibosete era filho de Jônatas e, portanto, neto do rei Saul. Aconteceu que Davi, ao ser muito amigo de Jônatas, fez uma aliança com ele, aliança esta que decide honrar mesmo após a morte de seu querido amigo. Isto nos é relatado em 2 Samuel 9, em que Davi decide abençoar o único descendente de Jônatas que não havia morrido na batalha: Mefibosete.

A seguir, pontuamos tudo aquilo que nosso Deus, na figura do rei Davi, fez a nós, representado pela figura de Mefibosete. Todas estas atitudes de Davi reafirmam o poder que a graça possui de trazer salvação e restauração eterna e são as mesmas atitudes que Deus tem para conosco, seus filhos:

 

I – O Rei quer nos abençoar: Ele é bom!

          O versículo primeiro de 2 Samuel 9 nos conta que Davi procurou a quem abençoar. Vale lembrar que Mefibosete era neto de Saul, homem que perseguiu Davi incansavelmente, na tentativa de matá-lo. Isto não foi considerado por ele, já que o que mais lhe importava era a aliança que havia feito com o pai do menino.

          A aliança entre os amigos Davi e Jônatas simboliza a aliança que Deus fez conosco por meio de Jesus. A Bíblia fala que Jesus é o mediador de uma nova aliança (Hb 12.24), aliança que nos possibilita ter acesso irrestrito à Presença de Deus. É por meio desta aliança que a Bíblia nos desafia a nos achegarmos com confiança (sem medo) diante do trono da graça (Hb 4.16), assim, receberemos misericórdia e graça para o tempo de necessidade.

 

II – Mefibosete: aleijado de ambos os pés.

          O nosso andar simboliza nossa conduta. Mas Mefibosete era aleijado de ambos os pés (2 Sm 9.3), por isso, mesmo que tentasse e desejasse, não conseguiria fazer nada com as próprias forças. Isso significa que ele dependia totalmente da ajuda das pessoas.

          A dependência de Mefibosete representa a nossa dependência de Deus. Nós também, mesmo que tentemos, não conseguiremos ir longe sem ajuda. Isto também é graça: depender totalmente de Deus. A graça nos leva a entender que fomos criados por Deus para depender Dele.

 

III – Mefibosete: comia à mesa do Rei.

          Na história de Mefibosete, o autor enfatiza sua deficiência, citando-a duas vezes (2 Sm 9.3 e 13). Este defeito representa nosso pecado, nossa deficiência perante um Deus perfeito. Porém, Davi promete a ele que este comeria em sua mesa, como se fosse o filho do rei, até o fim de sua vida. Jesus também, por meio da graça, nos convida a sentar à mesa com Ele (Ap 3.20) pois Ele foi o sacrifício sem defeito, entregue de uma vez por todas em nosso favor (Hb 7.28).

          O interessante a respeito da mesa é que, sentado nela, o defeito de Mefibosete fica escondido. Assim somos nós por causa da graça. Quando Deus olha para nós, pecadores, pela graça, enxerga Jesus, Sumo sacerdote, imaculado. Por causa Dele, somos justificados (Rm 5.1).

 

Conclusão

          A graça de Deus nos oferece inúmeros benefícios e, dentre eles, está a salvação. Por meio da graça, o pecado não pode mais nos dominar, pois já não estamos debaixo da Lei, mas debaixo da graça (Rm 6.14) e escravos da justiça. Se for por meio da graça que somos justificados para a salvação, então não podemos deixar que Satanás obscureça nosso entendimento em relação a ela. O convite de Deus para nós é que usufruamos desta revelação: a graça nos basta!